segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Administração do tempo ou administração de vida?

Na realidade não se administra o tempo, mas sim nossos pensamentos, bem como as ações que fazemos no nosso dia-a-dia.
Nos meus mais de 20 anos de experiência em treinamento já ouvi, não poucas vezes, a expressão: “fiz um curso de administração do tempo que não serviu para nada”. Assim sendo, a questão que se coloca é saber por que isto acontece ou pode acontecer e o que fazer a respeito.
Para começar, é importante que se entre na essência da questão da administração do tempo, para evitar uma série de confusões e distorções, inclusive de natureza semântica, que são feitas muito usualmente. Administrar importa em poder controlar, ou pelo menos, ter um certo nível de controle. Caso não se possa ter um certo nível de controle não se pode administrar e, quer você queira ou não, o dia tem 24 horas, a semana sete dias e o ano 365 ou 366 dias. E isso você não pode mudar. Logo, você não pode administrar. Na realidade não se administra o tempo, mas sim nossos pensamentos, bem como as ações que fazemos no nosso dia-a-dia. Em outras palavras, o que podemos administramos é a nossa vida.
Portanto, administração do tempo deve ser entendida como alguma coisa que nos ajude a identificar nossos objetivos e o destino que queremos ter, e aquilo que tem que ser pensado e feito para que possamos alcançá-los. Como conseqüência, daqui por diante, quando mencionar administração do tempo, estou fazendo dentro do seguinte significado: administração do tempo é um recurso, uma espécie de mecanismo a prova de bobeira, que nos ajuda a explicitar quais devem ser os nossos pensamentos dominantes e a manter o foco naquilo que deve ser feito. Deve implicar em aspectos estratégicos e operacionais. Os aspectos estratégicos têm a haver com os objetivos de vida. Os operacionais com a agenda. De nada adiante ter uma agenda da melhor qualidade se os seus objetivos de vida estiverem mal formulados. São os nossos objetivos de vida e os nossos valores que vão indicar aquilo que é ou não importante e prioritário para nós.
Além dessas relevantes distinções de ordem conceitual, devemos ter em conta que um curso de administração do tempo, que se materializa na elaboração de uma agenda, tem pouca ou nenhuma utilidade se não importar em mudanças comportamentais que ajudem a superar hábitos e padrões improdutivos ou nocivos. E isso é, na realidade, o X da questão, já que como se sabe, o papel ou a agenda, aceita tudo. Ter um bocado de boas intenções. Colocar essas intenções em prática é outra completamente diferente. Portanto, o problema é: como identificar e mudar comportamentos, transformando hábitos negativos, como a procrastinação, em hábitos de alta efetividade? Como sair do círculo vicioso para entrar no círculo virtuoso?
Cabe também ressaltar que a matriz urgência/importância, um dos principais recursos utilizados em administração de tempo, tem uma miopia conceitual que considero bastante grave. Tudo o que se faz pode ser classificado e analisado segundo quatro categorias: (1) Pouca Importância e Urgência - PIU, (2) Pouca Importância e Muita Urgência - PIMU, (3) Muita Importância e Urgência - MIU e (4) Muita Importância e Pouca Urgência - MIPU. 
E onde está o equívoco conceitual? É na postura bastante angelical, que considera que aquilo que se faz pode ser, na pior das hipóteses, apenas pouco importante. E esse é o ponto: o que se faz também pode ser destrutivo e, diga-se de passagem, muito destrutivo. Tanto em relação a sim mesmo, como no caso da auto-sabotagem, em que uma pessoa falha exatamente quanto o sucesso parecia iminente.
Isso porque no inconsciente, aquela pessoa não se considerava merecedora, e assim, não poderia ter sucesso. Mas também pode ser destrutivo em relação aos outros, não apenas como fruto de avaliações equivocadas, mas também do VOA – vaidade, orgulho e arrogância e outros tantos fenômenos humanos, como a inveja e o ciúme.
Um outro ponto, extremamente importante, é que de nada adianta fazer uma agenda perfeita se a pessoa não souber como trabalhar com adversidades. E, como constatou o consultor americano Paul Stoltz, que nós enfrentamos, pelo menos, 23 adversidades por dia, na vida familiar, no tráfego, na empresa e na vida social. E se a sua reação for como a do Zidane, violência física, você pode complicar muito as coisas.
Assim, se não se considerar todas essas dimensões e questões, é bastante provável que você também diga: “fiz um curso de administração do tempo que não serviu para nada”. Devemos, portanto, entender a administração do tempo, como um recurso dentro da administração de vida. E para tanto é preciso que, entre outras coisas, se encontrem outros significado para aquilo que é dito usualmente. Por exemplo, quando alguém diz: “você está perdendo tempo”, a tradução deve ser: “você não está sabendo focar ou fazer aquilo que deve ser feito”.
Portanto vamos tratar de administrar as nossas vidas, que importa em nossos pensamentos, emoções, ações, padrões comportamentais e destino/sonhos. E esta é a única forma de não se ficar na janela esperando para ver a banda passar. Ou de então, sair por aí, sem eira nem beira.


Por: José Augusto Wanderley, master practitioner em programação neurolingüística e formação em Coaching pessoal e executivo. Consultor e palestrante em Negociação, Processo Decisório e Excelência Pessoal. Autor do livro Negociação Total: Encontrando Soluções, Vencendo Resistências, Obtendo Resultados (11ª edição), Editora Gente - (www.jawanderley.pro.br)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Administrador e a Administração

Por Daniel Nascimento e Silva

No dia 9 de setembro é comemorado o dia do Administrador como forma de reconhecimento àquele tipo especial de profissional que lidera a mudança do mundo. Os administradores não são melhores nem piores do que os outros profissionais, apenas são diferentes. Mas o que é o administrador? Quem é este profissional diferente? A diferença reside no fato do Administrador amar problemas. Parece esquisita a resposta, mas é a mais exata que se pode encontrar para dar conta do cotidiano desta profissão. Às pessoas comuns pode, sim, parecer estranho que haja profissionais que busquem aquilo de que mais fogem, de que mais querem distância: ter que enfrentar problemas. Um mundo sem problemas é um mundo nocivo, chato, sem sentido aos administradores. Um problema é tudo aquilo que ameaça ou que apresenta oportunidades para o que os administradores chamam de Organização. 
Uma organização é todo agrupamento humano que tenha pelo menos um objetivo comum aos seus integrantes. É este o desafio dos administradores: atingir objetivos trabalhando com e através de pessoas, com seus problemas, objetivos, idiossincrasias, modo de ser pessoais. Não é uma tarefa fácil tratar com pessoas e direcionar esforços para que façam o que precisa que seja feito. 
Todo mundo, no fundo, precisa saber administrar, mesmo que seja para gerenciar a sua própria vida. Isso não significa que todos tenham que ter um diploma de administrador: a administração é uma filosofia de vida necessária, imperativa, principalmente nos tempos atuais. O que marca esta filosofia é a busca incessante do homem de viver, viver bem, viver melhor. É a busca de futuros cada vez mais promissores a finalidade última de todo ser humano – e por isso a administração é fundamental. 
Pergunte-se, por exemplo, a si mesmo como você quer estar daqui a dez anos. Se sua resposta for “não sei” ou algo parecido, você precisa urgentemente de administração. Toda organização precisa dar conta de seu futuro, não importa se seja uma família, uma empresa, um município ou um país. Dar conta do futuro significa saber onde se quer chegar, como se quer estar neste futuro desejado. Se não se sabe onde se quer chegar, dificilmente se concretizará qualquer intento satisfatório de futuro, os recursos serão mal empregados e corre-se o risco de, ao se tentar progredir, retroceder. 
O exemplo disso? Vejam-se quantos municípios continuam do mesmo jeito que se encontravam há décadas; quantas empresas faliram por não se preocupar com esta regra básica de gestão; quantas famílias fracassaram, deteriorando seus patrimônios; quantos sonhos individuais se transformaram em pesadelos. 
O administrador é um realizador de sonhos porque sempre faz o que tem que ser feito de forma funcional, conseqüente. Os gestores se distanciam de explicações complexas que não possam ser compreendidas por todos os que com ele trabalham: a simplicidade e a compreensibilidade são duas de suas habilidades essenciais. Todo administrador também é um pedagogo, como conseqüência dessas habilidades, porque tem que ser capaz de ensinar o que aprendeu, o que inventou, o que aperfeiçoou. Em muitas situações, seu aprendizado, sua invenção, seus aperfeiçoamentos são fontes de graves conflitos, mas sua capacidade política, seu poder de convencimento o transformam em político: sua principal ferramenta de trabalho é a palavra. 
Os administradores mais talentosos são capazes de encontrar praticidade e utilidade em conhecimentos de ciências aparentemente tão distantes, como a física quântica, a biologia, a nanotecnologia, a medicina, a química, dentre outras. A busca por solução aos problemas organizacionais invade áreas aparentemente sem sentido, como o budismo, a teoria do caos, as teorias das supercordas (teoria dos universos paralelos), a paraeconomia, os sistemas paralógicos etc. O administrador tenta ser o que jamais conseguirá ser: alguém capaz de interpretar o mundo e agir sobre ele de tal forma que os outros homens se beneficiem de sua ação. 
A ação é o que marca a natureza de administrar. Administrar é agir. O administrador age porque nunca se conforma com o estado atual das organizações e do mundo. O administrador pensa que as organizações e o mundo estão do jeito que estão porque não foi capaz de encontrar um caminho viável a um futuro mais promissor. O Administrador é um inconformado. O administrador jamais apresenta problemas para as pessoas, sejam elas seus superiores ou não - sempre mostra soluções, mesmo que tenha que negociá-las, outra ferramenta de que se utiliza bem. 
Faça outro teste: se você comumente apresenta mais problemas do que soluções, é administração que lhe falta. A razão é simples: administradores adoram problemas. Estes testes não devem ser interpretados como afronta, mas como uma comprovação diária do que se constata no interior das organizações. Quanto maior a capacidade de alguém em resolver problemas, maior o seu valor para sua organização, para sua família e para o seu reconhecimento social e profissional. Como conseqüência disso, todo problema que acontece ao redor de um administrador, este o toma para si: “Errei!!!”, ele dirá. Só erra quem age, quem experimenta, quem ousa; quem se acomoda é incapaz de errar, mas também jamais acertará.  O ambiente de atuação de um administrador é dinâmico, dado o seu gênio inventivo, inovador, criativo. Isso envolve e contagia aqueles com quem convive. A admiração e o envolvimento são decorrentes deste êxtase criado e que é capaz de revelar a qualquer ser humano sua capacidade inesgotável de fazer coisas, de realizar feitos. 
Para o administrador, qualquer coisa é possível, inclusive mudar o mundo. O administrador é aquele profissional que se sente atraído em resolver questões que todos julgam impossíveis porque o impossível é apenas algo que ainda não foi realizado, mas que um dia será: é preciso que o impossível seja realizado para deixar de ser impossível. É isso o que atrai os administradores. 
É difícil realizar o impossível? Mesmo que seja, provavelmente jamais o administrador o dirá na frente de alguém. Se o administrador tenta transformar o impossível em possível e falha, jamais pronunciará a palavra “impossível”. Ele dirá: “Fui mal sucedido!”, porque outro administrador poderá transformá-lo. Pode parecer que estejamos querendo transformar a figura do Administrador em um semi-deus, mas não o é. Queremos apenas retratar um pouco da mentalidade e da prática gerencial, nada mais. Com toda razão alguém pode dizer que somos loucos, o que não vamos lhe negar a razão, uma vez que muitos loucos de ontem são endeusados hoje justamente por o terem sido. Mas suas loucuras mudaram o mundo. As maiores transformações de que usufruímos hoje são frutos das loucuras de homens que ousaram, que jamais admitiram que o impossível existia no mundo da gestão e nos seus mundos paralelos. 
O louco que faz belas realizações não é louco, é apenas incompreendido. Se nos perguntassem qual a maior realização de toda a história da humanidade, responderíamos sem pensar duas vezes: a invenção da gestão. Nossos maiores avanços médicos, tecnológicos, políticos, a formulação da origem do universo e dos universos paralelos, a ida à lua, a cura para doenças, enfim, tudo o que se possa imaginar que seja a maior realização humana não seria realizada se não houvesse a gestão que lhe asseguração ser viabilizada. Mais uma vez, não é necessário ter um diploma de gestão para administrar, mas poucas são as pessoas que aprenderam gestão, mesmo entre os muitos diplomados. Basta ver que a maioria das pessoas é mal sucedida, basta ver que a maioria das pessoas precisa de emprego, exemplo máximo da necessidade de se aprender a administrar. 
Saber administrar é ser capaz de tomar a vida nas mãos e conduzi-la ao futuro desejado. Não é por acaso que as organizações melhor gerenciadas procuram saber quais foram as grandes realizações dos candidatos aos seus cargos executivos, antes de fechar o contrato. Se as realizações forem consideradas insuficientes, não há contrato. As organizações precisam de realizadores, de administradores e precisam ter a garantia de que estão contratando alguém pelo menos satisfatória. Naturalmente, nenhuma garantia é mais tácita do que o que candidato fez em seu próprio benefício: se for incapaz de gerenciar a si mesmo, será incapaz de gerenciar uma organização a contento. 
Mais uma vez: a administração é uma filosofia de vida. O dia que esta filosofia fizer parte da maior parte dos cidadãos de uma cidade, de um Estado, de um País, certamente este será um povo desenvolvido. O que marca a diferença entre povos desenvolvidos ou não é justamente a existência ou não de uma mentalidade gerencial entre seus cidadãos. Dois são os pequenos passos em direção a esta mudança por todos os povos buscada: primeiro, saber onde e como se quer estar em um futuro determinado; segundo, aprender a resolver problemas.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Super Gerente Comercial

Por Luiz Fernando Urruth Fontella

Todos nós conhecemos ou passamos em nossas vidas por um tipo de “Super Gerente”.

Ele se caracteriza como o verdadeiro profissional “Bombril”. Está sempre correndo e atarefado, faz as maiores vendas da empresa, conhece tudo sobre os processos e os produtos que comercializa, resolve todos os problemas de sua área e esta sempre “apagando incêndios” dentro de seu setor.

Não se questiona a dedicação ou a qualidade pessoal deste profissional, mas sim o seu desempenho como gestor. O que este colega se esquece é que o seu papel é estratégico dentro de uma organização. Que cabe a ele, além de garantir os resultados imediatos, ESTABELECER DIRETRIZES que garantam o desempenho da empresa no médio e longo prazo. Como está sempre exercendo funções operacionais, não consegue tempo para analisar o mercado onde sua empresa está inserida, estabelecer um planejamento estratégico coordenado com todas as áreas da empresa nem organizar a sua divisão de forma consistente. É por isto que ele está sempre atribulado em seu dia a dia. Seu departamento não está sendo GERENCIADO, mas apenas EXECUTADO.

Para ajudar o “Super Gerente” a se tornar um “Gerente Eficaz” vamos olhar as principais funções que um Gestor Comercial deve desempenhar.

- Visão estratégica para a vitalização do negócio: Um gestor da área comercial deve ENXERGAR SEU NEGÓCIO COMO UM TODO e, principalmente, os cenários futuros de sua empresa. É obrigação de um gerente comercial entender o posicionamento de sua empresa perante o mercado, quem são os seus clientes, classificá-los segundo ordem de importância seja estratégica ou econômica, seus níveis de satisfação com relação ao o que você esta oferecendo atualmente em termos de produtos ou serviços e quais são suas necessidades e desejos futuros visando oferecer SOLUÇÕES a eles no seu dia a dia. Deve também saber quais são os “players” de seu segmento, como eles atuam, seus pontos fortes e fracos, como está baseada sua estrutura comercial, suas táticas de vendas e outras informações que considere importantes. Buscar saber se as estratégias de comunicação de sua empresa com seus clientes estão atingindo os objetivos propostos e realizar as correções necessárias para que consiga um canal competente de relacionamento com os mesmos. Com estas informações cabe ao gestor comercial montar estratégias consistentes e duradouras para o setor de vendas.

- Liderança Inspiradora: Um gestor comercial é acima de tudo um LÍDER QUE FAZ COM QUE SEUS COLABORADORES EXERÇAM SUAS ATIVIDADES COM PAIXÃO E DEDICAÇÃO para que eles mantenham o impulso para atacar, crescer e prosperar. Então um gestor comercial deve ser ético com seus colaboradores. Se você é honesto deixe claro isto a eles, se você é respeitador demonstre isto a sua equipe, se você é profissional deixe isto claro a todos. Você não poderá exigir aquilo que não pratica. Deve também mostrar um visão inspiradora do futuro de seu negócio a seus colaboradores, insistindo firmemente com cada um qual a direção a tomar, onde eles devem se concentrar e quais são as prioridades para eles. E deve ter clareza em suas atitudes e procedimentos. Todos devem saber o que fazer e quais são os limites de sua atuação.

- Desenvolvimento da equipe de vendas: O desenvolvimento de uma equipe de vendas começa com a contratação correta do profissional a exercer as funções de sua empresa. Cabe ao gestor mapear quais as necessidades e características importantes e buscar pessoas dentro do perfil indicado. Uma vez contratado este profissional cabe a ele manter um ambiente que crie condições para o surgimento de motivação e do comprometimento de sua equipe de vendas, buscar formas compensatórias para o desempenho de seu grupo e ATUAR COMO UM “COACHING”, analisando freqüentemente as capacidades de seus colaboradores e desenvolvendo seus potenciais visando que eles tenham competências essenciais para abrir o mercado e fidelizar seus clientes.

- Gestão comercial eficaz: Cabe ao gestor comercial criar sistemas e mecanismos capazes de impulsionar a venda de sua equipe, sanar problemas imediatamente e introduzir uma postura pró-ativa em todos na organização. ELE DEVE PLANEJAR SUAS VENDAS PARA TORNAR SUAS PREVISÕES RESULTADOS EFETIVOS e criar mecanismos e sistemas administrativos de suporte e gestão em todas as etapas de sua venda, seja ela dos processos de vendas propriamente ditos, logística, distribuição e atendimento ao cliente.

Então, quando estiver exercendo suas atividades no dia a dia de sua empresa pare e analise como você está atuando. Se você esta sendo um “Super Gerente” ou um “Gerente Eficaz”.

Questione-se, critique-se, exerça a habilidade do autoconhecimento e lembre-se:

O bom gestor não é aquele que vende, mas aquele que faz sua equipe vender.

O bom gestor não é aquele que tudo sabe, mas aquele que dissemina o conhecimento.

O bom gestor não é aquele que tudo resolve, mas aquele que delega e orienta seus funcionários a resolverem seus problemas.

O bom gestor não é aquele que “apaga incêndios”, mas aquele que organiza os processos para que eles não ocorram.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Carta ao eterno freguês

Prezado Vagalume Azul do Rabo Fosforescente,

Bem sabe vossa senhoria que nós, do Clube Atlético Mineiro, prezamos pela excelência em nossa prestação de serviços. Temos um enorme prazer em tê-lo em nossa carteira de clientes há mais de 90 anos. Você nunca nos abandonou, qualquer que tenha sido vosso nome. E isso, Azulete, é muito valioso para nós. Assim, depois da competente tunda por nós aplicada neste sábado, deixando-o escornado, lambendo a sarjeta e contando estrelas, cumpro meu papel de aferir o grau da sua satisfação com o nosso trabalho.

Cuidar da manutenção dos nossos clientes pressupõe pesquisa de seu comportamento, interesses e necessidades. Sabemos da sua predileção pela posição em decúbito ventral, em quatro apoios, também conhecido popularmente como “de 4”. Assim o fizemos neste final de semana, deixando seu fiofó borrado exposto diante da sua torcida (ou seja, ninguém). 4 sapatadas em vosso ex-felpúdico lombo. Sova para deixar sua serelepelência com dores lombares irremediáveis. 3 do Tardelli e 1 do Neto Berola. Fora o show.

Pergunto: de 1 a 4, qual a nota que você nos dá para o sapeca-iaiá perpetrado?

Para agradecer tão nobre fidelidade e valorizar a especial freguesia, procuramos inovar sempre. Nesta estação, instruímos os nossos jogadores a homenagearem o time de azul toda vez que entubasse o mequetrefe. Deixamos nossos atletas livres para escolherem o que homenagear: o time adversário, a torcida, o hino vaidoso. Não é que DieGOL encontrou um gesto que simbolizasse tudo o que vocês representam?

Pergunto: de 1 a 4, qual a nota que você nos dá para a homenagem feita a você por Diego Tardelli?

E tem mais, serelepe falido. Queremos registrar a nossa gratidão por ter sido tão incompetente em manter o zagueiro Leonardo Silva. Ele é realmente muito bom. Cuidaremos bem do atleta, tenha a certeza. Coisa que você efetivamente não sabe fazer. Ele será cuidado pela Massa Atleticana, a única torcida de verdade nessas Minas Gerais.

Além disso, fazemos chegar até você os agradecimentos do Sindicato das Lavadeiras de Roupa de Minas Gerais. Ao contrário dos comerciantes e ambulantes da Arena do Jacaré, que reclamam os prejuízo tidos pela ausência de seus torcedores, as lavadeiras dizem ter, em vocês, ótimos clientes. Haja fundilho necessitando de sabão assim lá na Toca da Raposa. Cada freada de caminhão mais xumbreguenta que a outra.

Portanto, prezada raposa escorraçada, receba os nossos sinceros agradecimentos. Sabemos que podemos sempre contar com a sua preferência.

Atenciosamente,

Departamento de Relacionamento com o Cliente – Clube Atlético Mineiro.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Big Brother Brasil

Por Luis Fernando Veríssimo

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A  décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que  recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Seu chefe nas redes sociais: como lidar?

Ter os colegas de trabalho nas redes sociais é comum. Mas quando o seu líder quer lhe seguir no Twitter ou ser seu amigo no Orkut ou Facebook, como lidar? Nas redes sociais, não existem regras consolidadas. O que vale é o bom senso, afirma a consultora de Recrutamento e Seleção da Ricardo Xavier Rercursos Humanos, Thais Pontin.

Para ela, comportamentos de proximidade entre colaboradores e gestores são cada vez mais comuns. Daí o fato de o líder querer fazer parte da vida social e virtual dos seus colaboradores. "É preciso observar o contexto, pois dependendo do grau de relacionamento entre o chefe e o subordinado, essa proximidade fora da empresa é comum", diz.

Contudo, com o mercado aquecido, e ainda que a relação entre líder e colaborador seja boa, sempre há certa desconfiança por parte dos profissionais quando o assunto é o chefe nas redes. "O receio do profissional existe, mas acaba sendo mais mito, sem muito fundamento", afirma Thais.
 
 
Seu chefe quer ser seu amigo

Recusar o pedido nas redes gera um mal estar desnecessário. E não adianta demorar a aceitar, a menos que você, de fato, não utilize as ferramentas. Para Thais, a tendência é que esses pedidos sejam mais recorrentes. E isso é saudável, pois ajuda a criar uma relação mais próxima com o líder. E essa proximidade só ajuda a resolver problemas mais rápido. Sem contar no networking.
 

 

"Acredito que é possível estabelecer um ponto mais próximo sem grandes problemas", afirma. Para ela, não é preciso muito para isso. "Demonstrar insatisfação e denegrir a imagem da empresa não pode", diz. Isso porque, na avaliação de Thais, comportamentos como esse prejudicam a sua imagem como profissional, pois nem só o líder está lendo esse tipo de comentário.

E quando um desabafo gera um desconforto? "É importante o líder saber separar o pessoal do profissional nas redes", diz Thais. "Mas não acredito que chefes utilizem as redes para repreender o funcionário", considera.
 
 
 
 
Para Thais, se tanto o profissional como o líder souberem estabelecer essa linha de separação, as redes sociais só ajudarão. "Redes sociais são algo particular, mas o ideal é manter o bom senso e uma postura no que você diz", completa. E isso vale não só no mundo virtual, mas no real também.
 
 
 
Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/carreira-e-rh/seu-chefe-nas-redes-sociais-como-lidar/42412/

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Encerrando Ciclos

 Por Fernando Pessoa


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.